Mãe é mãe

Minha-Mãe-É-Uma-PeçaConversando com minha mãe sobre o final de semana:

-Como foi a viagem?

-Foi boa

-Quem foi?

-Todo mundo

-Seu namorado foi?

(pausa dramática)

Quando o assunto são meus namorados, minha mãe sempre foi uma conservadora de extrema direita. Horário de visitação lá em casa não passa da meia noite. Aos domingos piora muito. Mal dá pra ficar pro Big Brother. E quando eu digo lá em casa, inclui apenas sala, no máximo cozinha. Quarto nem pensar. Duvido nada ter um sensor de presença. Ou de choque elétrico.

Desde pequena, minha mãe sempre me apavorou com seus discursos de que todos os homens planeta não querem nada com você, além de sexo. Com o tempo, aprendi que nem todos são assim. Tem os que querem sexo com suas amigas. E assim se tornam seus amigos. Eu tenho vários amigos homens que nunca rolou nada além de amizade. Mas isso não existe na cabeça da minha mãe. Para ela, nós mulheres somos um pedaço de carne vistas por Homo sapiens famintos.

Cresci sob a proteção e conselhos diabólicos da minha mãe. Seja qual for o assunto, sempre terminava com mulher-tem-que-se-valorizar. Porque senão, não vai casar e blalalá. Coisas de interior que passam de mãe pra filha. Minha avó deve ter sido outra descendente de Hitler que aterrorizava minha mãe com medo dela “pegar bucho” e desonrar a família. Eu poderia ter crescido cheia de traumas, mazelas e distúrbios na pré-adolescência. Ou até “passado pro outro time”. Mas não, tudo que eu fazia até então era omitir certas verdades dela.

Mas agora não. Não com 25 anos. Não em 2014. Não em pleno século XXI onde temos o direito sobre nós mesmas de escolhermos com quem vamos namorar e de que forma vamos namorar. Não agora, que já sou uma mulher emocionalmente madura e responsável pelos meus atos, e porque as mães das minhas amigas compram o anticoncepcional delas. O sonho de qualquer relação mãe x filha. Respirei fundo. Isso vai mudar. E respondi:

-Foi. Meu namorado foi sim – respondi enchendo o peito.

-Vocês dormiram no mesmo quarto?

-Não né, eu me valorizo…

Mãe é mãe – pensei.

 

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4 thoughts on “Mãe é mãe

  1. “…aprendi que nem todos são assim. Tem os que querem sexo com suas amigas.” Hahahaha Muito bom! Gosto muito de ler seu blog. Gosto muito de como você escreve. Seus textos são muito originais e engraçados. Parabéns pelo seu trabalho Eveline. Continue escrevendo!

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