Risque apresenta: mulheres que reclamam

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A nova campanha “Homens que amamos” da Risquè tem gerado polêmica no twitter. O objetivo da campanha era ressaltar pequenos gestos de carinho em nomes de esmaltes. “João disse eu te amo”, “Léo mandou flores” , “André fez o jantar”, “Fê mandou mensagem” eram alguns exemplos de nomes de esmaltes que a campanha contemplava.

Eu sou do tipo que presto atenção em nome de esmalte. Tanto quanto a cor. Muitas vezes, o nome que decide por mim. Hoje eu vou de “Inveja boa”. Em dias de chuva, “Preguicinha”. Mas tem sábados que eu tô mais pra “Malícia” ou “Apuros em Miami”. Vai de acordo com meu humor. Então, como mulher e consumidora da marca Risquè, adorei a nova campanha que retrata “Homens que amamos” em nomes de esmaltes.

Acontece que uma geração-de-mulheres-chatas caiu em cima no twitter, acusando a campanha de machista e sexista. Oi? Essa geração afirma que homens não podem ser foco de uma marca de esmalte, cujo público é feminino. E desde quando homem não é assunto de mulher? Qual mulher não gosta de ganhar flores ou comentar com as amigas na mesa do bar sobre o jantar especial que ele preparou?

Claro que não falamos só disso. Falamos de trabalho, sexo, política, economia e a nova cor de esmalte que saiu. Tudo bem que a Risque poderia ter feito uma coleção com “mulheres fodas”, mas relacionamentos também fazem parte da vida das mulheres. E da vida dos homens também. E não só podem, como devem, ser explorados na publicidade.

Essa geração de mulheres que reclamam acredita que o André-fazer-o-jantar não é passível de homenagem. E que receber um sms no meio da tarde não diz nada. Como diz a colunista Mariliz Pereira à Folha de São Paulo: é essa mesma geração de mulheres que tá sozinha. E que acredita que uma campanha inofensiva dessa futiliza as mulheres. Alô, estamos falando de e-s-m-a-l-t-e-s. Deixemos os assuntos sérios para coisas sérias.

Imagine como seria a coleção de esmaltes retratada por essa geração de mulheres:

-Amiga, que lindo seu esmalte. Que cor é essa?

-“Pedro paga pensão”. E o seu?

-“Edu vai assumir a criança”.

Por favor né.  Agora deem licença que vou fazer as unhas.

A síndrome da bolinha de neve

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Na minha mesa de cabeceira há um daqueles souvenir de viagem: um globo de neve vermelho com azul escrito London. De vez em quando eu passo por ele e dou uma chacoalhada. Só para ver as bolinhas entrarem em caos. Percebi que eu também sofro da Síndrome da Bolinha de Neve. Assim como o globo de neve, eu também preciso dar uma sacudida de vez em quando. Me reciclar. Entrar em caos mental.

Foi isso que me fez sair de casa, mudar de cidade, pedir demissão sem ter outro emprego em vista. Ora, começar do zero não me assusta. O que me assusta é parar. Estagnar. É isso que nos faz perder o brilho nos olhos, e não conseguir encontrar magia nas coisas. Seja em um lugar, uma profissão, em uma pessoa ou num souvenir de viagem. Talvez essa seja a tal felicidade.

Mas com o tempo, percebi que o globo de neve não vai balançar sozinho. Então, você tem duas saídas: ou ficar reclamando. Ou sair da zona de conforto e encarar as mudanças.

A Síndrome da Bolinha de Neve (SBN) não é uma doença rara. Você pode adquirir no auge dos seus vinte e poucos anos ou descobrir com quarenta. Ela não é contagiosa. Mas provoca inquietação constante e não garante refresco imediato. E claro, não há cura.

O tal do recalque

pimenta-capsicum-spp-1336160302864_956x500Certamente você já foi acusada de recalcada sem motivo aparente. Se não foi, ainda será. Pode esperar. Ninguém escapa da Geração Seu Recalque Bate e Volta. Virou modinha. Virou hino. Virou um saco. Recalque é resposta pra tudo, e algumas vezes a resposta vem até elaborada em forma de frase de efeito: Batatinha-quando-nasce-espalha-rama-pelo-chão-cala-boca-recalcada-não-pedi-sua-opinião. 

(E eu cantando ‘esparrama’ pelo chão).

A verdade é que ninguém mais pode ter opinião senão, facilmente vai ser vítima do tal do recalque. Não gostou da minha roupa? Recalque. Não curtiu minha foto? Recalque. Esbarrou em mim na balada? Re-cal-ca-da. Isso quando você não for intitulada de inimiga. Essas que acham que todo mundo é inimiga delas são as piores. Não duvido nada serem adoradoras de Hitler que formam uma sociedade secreta organizada que se juntam pra exterminar e expulsar todas as outras mulheres do planeta, ao som de Anita e Valeska Popuzada, saudando uma às outras com beijinho no ombro.

Não tô pregando uma sociedade utópica nem #maisamorporfavor nem nada. Só acho que recalque é pra quem não tem argumento melhor. Nem toda crítica é recalque. Pessoas que consideram todo mundo sua inimiga são inimigas delas mesmo. Simples: “haters gonna hate”, em tradução literal, “odiadores vão odiar”. Não espere um elogio, um sentimento positivo de quem emana negatividade. É isso. Beijinhos e votem em mim pra presidente. Sou do partido anti-recalquista. E prometo implementar a Bolsa-Expulsa-As-Inimigas. Chanel, claro. Invejosas dirão que é falsificada.

Mãe é mãe

Minha-Mãe-É-Uma-PeçaConversando com minha mãe sobre o final de semana:

-Como foi a viagem?

-Foi boa

-Quem foi?

-Todo mundo

-Seu namorado foi?

(pausa dramática)

Quando o assunto são meus namorados, minha mãe sempre foi uma conservadora de extrema direita. Horário de visitação lá em casa não passa da meia noite. Aos domingos piora muito. Mal dá pra ficar pro Big Brother. E quando eu digo lá em casa, inclui apenas sala, no máximo cozinha. Quarto nem pensar. Duvido nada ter um sensor de presença. Ou de choque elétrico.

Desde pequena, minha mãe sempre me apavorou com seus discursos de que todos os homens planeta não querem nada com você, além de sexo. Com o tempo, aprendi que nem todos são assim. Tem os que querem sexo com suas amigas. E assim se tornam seus amigos. Eu tenho vários amigos homens que nunca rolou nada além de amizade. Mas isso não existe na cabeça da minha mãe. Para ela, nós mulheres somos um pedaço de carne vistas por Homo sapiens famintos.

Cresci sob a proteção e conselhos diabólicos da minha mãe. Seja qual for o assunto, sempre terminava com mulher-tem-que-se-valorizar. Porque senão, não vai casar e blalalá. Coisas de interior que passam de mãe pra filha. Minha avó deve ter sido outra descendente de Hitler que aterrorizava minha mãe com medo dela “pegar bucho” e desonrar a família. Eu poderia ter crescido cheia de traumas, mazelas e distúrbios na pré-adolescência. Ou até “passado pro outro time”. Mas não, tudo que eu fazia até então era omitir certas verdades dela.

Mas agora não. Não com 25 anos. Não em 2014. Não em pleno século XXI onde temos o direito sobre nós mesmas de escolhermos com quem vamos namorar e de que forma vamos namorar. Não agora, que já sou uma mulher emocionalmente madura e responsável pelos meus atos, e porque as mães das minhas amigas compram o anticoncepcional delas. O sonho de qualquer relação mãe x filha. Respirei fundo. Isso vai mudar. E respondi:

-Foi. Meu namorado foi sim – respondi enchendo o peito.

-Vocês dormiram no mesmo quarto?

-Não né, eu me valorizo…

Mãe é mãe – pensei.

 

Esqueça de lembrar

peixe_dory_nemoCerto dia, passeando no shopping com uma amiga, encontrei um carinha com quem eu saí algumas vezes, a muito tempo atrás. Ele me cumprimentou, e eu cumprimentei-o de volta, educadamente. Ao ver a cena, minha amiga falou, horrizada:

-Como é que você fala com ele depois de tudo que ele fez contigo?

Pensei, pensei, pensei, e respondi:

-O que foi que ele fez comigo?

Simplesmente não lembrava. Parece estranho, mas eu sofro da Síndrome da Memória Fraca. Acho que devo ter no máximo 0,5 megabytes de memória armazenada. O que seria péssimo se eu fosse um pen drive. Sabe aquele constrangimento de se apresentar três vezes para a mesma pessoa? Acontece o tempo todo. Assim como pessoas, isso se aplica a números, caminhos, datas, piadas, histórias, etc. Acho que elas vão para algum lugar no meu cérebro junto com todas as Coisas Que Me Contaram e eu Esqueci.

A verdade é que minha memória é seletiva. De alguma forma, ela filtra o que eu inconscientemente quero lembrar, e esquece o que eu, incoscientemente, quero esquecer. O lado bom disso tudo é que eu consigo abstrair certas coisas, relevar, esquecer, perdoar. Não porque eu sou uma boa pessoa, mas simplesmente porque eu não me lembro delas. E nem faço questão de lembrar. O que importa o que o carinha aprontou comigo a dois anos atrás? Passou, esquece.

Os humanos deviam ser como os peixinhos dourados, com apenas três segundos de memória. Porque depois de uma volta no aquário, é como se tudo fosse novidade. Isso me lembra a frase daquele filósofo de quem eu acabei de esquecer: felicidade é ter saúde boa e memória ruim.

Feliz Dois de Janeiro

TIMEConfesso que nunca fui fã de reveillon. A gente espera ansiosamente pela virada no relógio. São dias, horas e minutos de ansiedade. É a contagem regressiva mais tensa que existe. Acontece que eu não me dou bem com ansiedade. E sempre passo a virada do ano aprontando alguma ou ainda sóbria demais. Mas sim, feliz 2014.

Chegou 2014 e tudo continua absolutamente igual. Quem tinha que pegar ônibus lotado de manhã cedo, ele continua lotado. Quem tinha um emprego mais ou menos, ele continua mais ou menos. Nada mudou. A verdade é que a virada do ano é uma grande ilusão. Como se pular as sete ondas de costas ou oferecer uma rosa pra Iemanjá fossem resolver todos os nossos problemas. Mas acontece que se a gente faz tudo sempre igual como esperar algo diferente?

Se você quer um ano novo, você precisa fazê-lo novo. Recebeu um aumento no meio do ano? Feliz ano novo. Parou de fumar em setembro? Feliz ano novo. A menina que você gosta aceitou sair com você na sexta a noite? Parabéns, começou 2014 com o pé direito. (Ao contrário do Anderson Silva. Rsrs.)

Feliz mesmo é quem comemora ano novo todo dia, todo mês. Quem vira a mesa quando tá infeliz no trabalho, quem não se acomoda, quem arrisca vestir uma nova cor, ou aceita um convite para fazer o que nunca fez. Feliz ano novo pra você que pelo menos uma vez na vida se permite fugir dos conselhos sensatos. É esse o meu desejo pra 2014: que você não deseje o mesmo do Reveillon de 75.

Um lugar ao céu

ceu-Bem vindo ao CATPAH (Centro de Avaliação Tutelar Purgatorial da Alma Humana)
-Olá, como faço pra entrar no céu?
-Rapaz.. isso aqui tá mais concorrido que concurso público.
-Mas deve haver algum jeitinho..
(sujeito coloca cheque de 500 mil reais sob a mesa)
-Agora você está falando a língua dos anjos.. que lugar no céu você quer?
-Ao lado de Deus.
-Nelson Mandela já está lá. Prêmio Nobel da Paz, você sabe.. agrega.
-Tá, mas e do outro lado?
-Hitler
-Como assim? Hitler não devia tá no inferno?
-Na época, o sistema era corrupto. E ele tinha uma boa lábia.
-E agora? – sujeito coloca outro cheque de 500 mil reais.
-Agora, digamos que você está a um passo do paraíso. Vou lhe colocar na cadeira superior,
abaixo só do frontstge.
-Quem tá lá?
-Hebe e Mickael Jackson
-Ok. Eu topo. Rola um showzinho dele lá no céu?
-Na verdade, ele vai tá fazendo turnê no final do ano pelo céu. Mas vai rolar um especial da dupla João Paulo & Claudinho.
-Eles se juntaram foi? Parece ser bom.
-E é. Só não vai quem não morreu – ambos riem.
-E dá direito a que?
-Cerveja, vodka, água e um acompanhante.
-Acompanhante?
-É. Os próximos a morrer são sua tia Vilma e a Sandy.
-Escolho a Sandy. Afinal, o que é imortal não morre no final.
-Ah, desculpa. A Sandy não vai pro céu.
-Quem diria né..
-Pois é, as santinhas são as piores.

 

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